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EP Engole o Recalque que eu não paro!

  • Foto do escritor: Universo 75
    Universo 75
  • 18 de mar.
  • 4 min de leitura

MC Tainá é uma das vozes precursoras do rap protagonizado por mulheres negras no Recôncavo Baiano. Nascida em Cachoeira (BA), na zona de encontro entre os bairros do Cucuí e do Curiaxito, sua trajetória artística se confunde com a própria história da música rap nas periferias de Cachoeira na última década.


No seu EP debute, “Engole o recalque que eu não paro”, produzido no Studio Ibori por Aganju Uh Anti Influencer e lançado pelo Selo Yamasse, Mc Tainá Azuada constrói uma obra fonográfica marcada pela denúncia social, crônicas Du submundo da cidade “heroica”. Crônicas que narradas por uma mulher negra, mãe solo e moradora de periferia, tomam outros contornos existências de   afirmação da identidade negra feminina e pela conexão profunda com as ruas do recôncavo sul baiano. “Engole o recalque que eu não paro” é mais que um EP é a consolidação de Mc Taina como uma das Mcs mais relevantes das áreas 75, recôncavo sul baiano.


Entre os trabalhos de destaque estão a participação no EP Nas Margens do Fim do Mundo – Tomo II, com a faixa “Lágrimas de Março”, o single “O Tombo é Certo”, além de produções audiovisuais como o clipe “Az Pivetadas Área – Parte I”, em parceria com Aganju Uh Anti Influencer. Em 2024, lança uma música na mixtape “O Fantástico Reino das Yabass”, obra que reafirma seu amadurecimento artístico e sua conexão com matrizes afro-diaspóricas.


"Lágrimas de Março" foi escrita em 2018, a primeira versão da música foi lançada em um projeto do grupo Us Pior da Turma, quando Azuada integrava a dupla Az Piveta das Area, e regravada para o EP "Engole o Recalque Porque eu Não Paro". É uma música que Azuada se identifica muito por ter muitas pessoas que são próximas que nasceram em março, como sua avó, sua tia Sueli e seu amigo Diego. É como se fosse uma homenagem a eles, e transmite o sentimento de dor pela partida de pessoas queridas que nasceram neste mês. 


"O Tombo é Certo" foi escrita em 2017, baseada em fatos reais, relata a história de um ex-amigo que acabou caindo por conta da ganância, do envolvimento com roubos e com más amizades. E o desfecho da história, infelizmente, é retratado no título da música.


"Cuidado para não infartar" e "É tudo do veio" foram escritas em 2025. É tudo do veio é uma história baseada nas intenções de homens que buscam impressionar as mulheres ostentando dinheiro do crime. Tainá gasta com o fato, lembrando que já passou por isso, mas não se ilude com esses malotes.


"A meta é ficar milionária" foi escrita em 2023, e retrata um momento durante a gravidez da sua filha Rihanna, quando sofreu uma covardia, uma tentativa de assassinato. Mas como ela diz na música "planejaram minha queda, mas esqueceram que sou promessa!"

"Flores em Vida" é de 2019 e como marco da sua escrita, também é baseada em fatos reais. Escrita após o falecimento da sua tia, a letra é baseada em muita emoção e Tainá a considera uma previsão do futuro, já que hoje em dia ela vê no governo municipal as falsas promessas de dignidade e bons empregos para a população negra, que trabalham em sua maioria em cargos desvalorizados e com poucas oportunidades, como ela aponta no trecho "Os pretos no lixo, os pobres esquecidos, nós tamo escondido e ninguém vê isso. Sobrevivendo aos perigos, enchendo a pança dos políticos".


Para além dos palcos, MC Tainá mantém uma atuação comunitária constante desde a adolescência. Sua trajetória está profundamente ligada ao Cine Comunitário do Povo, iniciativa criada em 2011 na comunidade do Viradouro, em Cachoeira, que articula exibições de cinema com ações culturais, formativas e atividades voltadas à cultura Hip Hop. Nesse espaço, MC Tainá atuou como educanda e, posteriormente, como impulsionadora e organizadora de ações comunitárias, reafirmando o rap como ferramenta pedagógica, política e de transformação social.

Apesar de lançar seu primeiro trabalho solo em 2016, em 2015 Mc Taina integra a banca de Rap Us Pior da Turma, fortalecendo sua atuação na cena local através de suas apresentações como Mc no Baile Pelo Certo. Em 2017 passa a integrar o núcleo de artistas produzidos pelo Studio Ibori, ampliando sua circulação e qualidade técnica, a partir daí, grava dezenas de participações com artistas das áreas 75. Atualmente, a artista compõe o casting de dois selos de rap: Selo Ibori e Selo Yamasse, consolidando sua presença no cenário independente baiano. 


Tainá compartilha sua vivência através do Hip Hop há mais de 20 anos, e ter o seu primeiro EP no ar é uma vitória diante do preconceito que o Hip Hop sofre, e pela marginalização que a própria Tainá já sofreu por cantar rap. A MC manteve sua resistência, resiliência e persistência ao gravar e lançar faixas escritas desde 2017, em que retrata sua vida e os percalços de ser uma mulher preta no interior da Bahia, vivendo entre os desafios das ruas e os ensinamentos do Hip Hop.




Ficha Técnica: 


EP Engole o recalque que eu não paro / Mc Taina Azuada 


Composições e interpretações por: Mc Taina Azuada


Beats instrumentais: Aganju Uh Anti-Influencer (@aganju_dref), salvo o beat da música “A meta é ficar milionária”, produzido por Billy Sujo (UHPRODUTOR)


Direção musical: Aganju Uh Anti-Influencer @aganju_dref


Mix/Master: Billy Sujo (UHPRODUTOR)


Direção criativa: Aganju Uh Anti-Influencer @aganju_dref


Arte Gráfica da capa: Nômade @vznomade


Desenhista: Nômade @vznomade


Assessoria de Comunicação: Mari Ferreira


Prod. Executiva: Paula Ana - Selo Yamasse


Distribuição em Streamings: Paula Ana - Selo Yamasse


Gravado por Aganju Uh Anti Influencer, no studio ibori  durante o primeiro semestre de 2025







Fotos: Rodolfo Jesus


Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura - Governo Federal.


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